quarta-feira, 23 de abril de 2014

Consumo de maconha pode prevenir diabetes, diz estudo

Atenção, proibicionistas, não tem pra onde correr: os usos medicinais da canábis ficam mais evidentes a cada dia! De acordo com uma pesquisa publicada na revista American Journal of Medicine, os consumidores regulares de maconha apresentam níveis mais baixos de insulina no sangue, indicando um melhor controle do açúcar.  Se comprovada, a tese pode resultar na criação de tratamentos contra diabetes baseados no THC,  o princípio ativo da maconha.

A pesquisa levou em conta dados obtidos durante o National Health and Nutrition Survey realizado entre 2005 e 2010, que analisou 4.657 pacientes, sendo que 579 eram consumidores regulares de maconha. Resultado:  os canabistas apresentaram 16% menos insulina em jejum do que os que nunca fumaram.  Além disso, os usuários da erva também registraram uma circunferência da cintura menor – quanto maior a medida, maior o risco de desenvolver diabetes. Os que fumaram maconha até um mês antes foram os únicos que mostraram evidências de proteção contra diabetes, o que sugere proteção temporária.
“Estudos epidemiológicos anteriores já haviam encontrado menores taxas de obesidade e diabetes mellitus em usuários de maconha em comparação com pessoas que nunca fumaram, sugerindo uma relação entre os canabinóides e os processos metabólicos periféricos, mas o nosso é o primeiro estudo a investigar a relação entre o uso de maconha e as taxas de insulina em jejum, glicose e resistência à insulina “, afirma Murray A. Mittleman, da Unidade de Pesquisa de Epidemiologia Cardiovascular no Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, e principal autor do estudo.
Ainda que os maconheiros geralmente registrem níveis de ingestão calórica média maior do que os não-usuários – larica!!! – o uso da maconha tem sido associadaoa um menor índice de massa corporal (IMC) em investigações médicas anteriores. “Os mecanismos subjacentes a este paradoxo não foram determinados, assim como o impacto do uso da maconha regular sobre a resistência à insulina e fatores de risco cardiometabólicos permanecem desconhecidos”, relata a co-autora Hannah Buettner.
O artigo também ressalta que, atualmente, a maconha é amplamente consumida nos Estados Unidos, com mais de 17 milhões de usuários, dos quais estima-se que 4 milhões façam uso diário da ganja. Já no Reino Unido, recentes estatísticas apontam que 2,3 milhões de pessoas consumiram maconha em 2012.
A pouco tempo, dois estados norte-americanos autorizaram o uso recreativo da canábis – e pelo menos outros 19 estados já legalizaram para fins medicinais. Há tempos que o THC já é aprovado para tratar os efeitos colaterais da quimioterapia em pacientes com câncer, a anorexia associada à AIDS e outras condições, como esclerose múltipla.
“Estas são observações notáveis que são suportadas por experimentos científicos básicos que chegaram às mesmas conclusões”, reflete Joseph Alpert, professor de medicina na Universidade do Arizona e editor chefe do American Journal of Medicine.  “Eu gostaria de chamar o NIH [Instituto Nacional de Saúde] e a DEA para colaborarem nas políticas de desenvolvimento de investigações científicas sólidas que levariam à informação médica mais adequada no uso e prescrição de THC, seja na sua forma sintética ou natural”, completou.