terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Manual de como ser um bom maconheiro VEJA

Que não se enganem os incautos canabistas: fumar um vai muito além da ladainha do “acende, puxa, prende & passa”. Entre um pega e outro, ao apertar & acender, há todo um ritual que se desenvolve durante o consumo da erva. Embora sejam informais e descontraídas, as populares “rodas” seguem regras sutis com o objetivo de organizar e otimizar o momento sagrado de fazer a cabeça em grupo.
Para ajudá-lo a não vacilar, segue abaixo a relação das oito gafes canábicas mais comuns e irritantes de todos os tempos. Fique atento a este singelo manual de etiqueta 420 para não pagar mico na próxima vez que fumar um com os amigos.
1) Boca de jacaré
boca
Para quem ainda não sabe, o popular “jacaré” consiste na queima irregular do baseado, o que pode ocorrer por diversos motivos, sendo o principal deles a má trituração da erva – portanto, redobre a atenção na hora de dichavar. Outro momento oportuno para a formação dos “jacarés” ocorre ao acender o beque. É preciso manejar o isqueiro com destreza, aproximando-o do cigarro com a precisão necessária para que a brasa queime de modo uniforme. Controle ainda a empolgação: tragadas muito intensas, abruptas ou profundas também podem desencadear o trágico fenômeno.
* Como lidar: se jacarezou, a melhor opção é queimar a parte que está “sobrando” para uniformizar a superfície da brasa. Posicione a brasa para baixo e vá tragando suavemente ou, se preferir, queime o que está sobrando com o isqueiro até igualar novamente.
2) Babar no baseado
babar

Que atire a primeira pedra de prensado quem nunca babou ou ficou com nojinho ao pegar um baseado babado na roda. A mais nojenta das gafes canábicas é também uma das mais comuns. No entanto, não há nenhuma evidência científica de que a maconha cause aumento da salivação – pelo contrário, afirma-se um dos efeitos colaterais da erva é justamente a inibição da produção de saliva, ocasionando a fatídica sensação de “boca seca” que todo canabista conhece muito bem. Ou seja: babar é imperdoável!
* Como lidar: se um baseado babado cair na sua mão, só lhe restam duas opções: passar para a frente ou fumá-lo segurando-o firmemente, de forma que a boca não toque a seda babada, mas sim seus próprios dedos.
3) Microfone
microfone
Poucos maconheiros são tão chatos quanto aqueles que se “apropriam” do baseado e ficam viajando com o beque na mão, fumando praticamente sozinhos e alheios ao flow da roda. Geralmente são os mesmos que falam sem parar e, por este motivo, a gafe é chamada de “microfone”. Mas há também quem prefira definir esses chatos como “delegados”, pois cabe a eles “soltar o preso” fumegante em questão. Embora não haja um limite mínimo ou máximo de pegas a serem dados por rodada, é de bom-tom ser ágil na tragada, especialmente em rodas muito grandes ou quando o fumo não é seu.
* Como lidar: Só tem um jeito de lidar com pessoas que insistem em transformar o beque em microfone: chamando na chincha e alertando-as sobre o fato de que todos estão ali para fumar – e não apenas conversar.
4) Passar o beque apagado
bequeapagado
Ok, apagar o baseado é algo que acontece comumente, especialmente com fumos muito frescos ou haxixe. Mas então faça o favor de acendê-lo novamente antes de passar. Pior ainda nos casos em que a pessoa deixa a brasa apagar por puro vacilo ou falta de noção na hora de bater a cinza. Seja como for, a regra é clara: passe apenas o cigarro que estiver aceso.
* Como lidar: Apagou, acendeu, passou.
5) Roubar o isqueiro
isqueiro
Às vezes acontece por distração; outras, por pura bandidagem. Mas o fato é que roubar o isqueiro é algo muito comum – e inconveniente – para qualquer maconheiro em qualquer parte do mundo. Até por que, muito em breve, o acessório será invariavelmente requisitado para acender a ponta ou um novo beque – e daí sempre rola aquela agonia em busca do fogo perdido. Desnecessário.
* Como lidar: Cuide bem dos seus isqueiros: em casa, há até quem opte por utilizar “cordinhas” para fixá-los. Se o ladrão costuma ser você, resista aos impulsos cleptomaníacos e evite segurar por muito tempo um isqueiro de terceiros.
6) Travar a ponta
travar

O contexto aqui geralmente é o seguinte: tudo está correndo bem quando, de repente, o baseado chega na ponta (ou nem isso) e simplesmente desaparece. Mais conhecido como “sapo na banca”, o maconheiro que tem por hábito apropriar-se da bagana é, certamente, um dos mais abominados nas rodas de todo o mundo. Falta de noção ou completa ausência de educação estão entre as razões desta que é a mais mesquinha & constrangedora gafe canábica.
* Como lidar: se a preza for sua, peça a ponta de volta com a mesma cara de pau de quem a roubou. Agora, se quem costuma filar a bagana é você, crie vergonha na cara e adquira – ou, de preferência, cultive – sua própria erva, pois poucas coisas queimam tanto o filme perante a roda do que ser o “sapo na banca”.
7) Falar mal do fumo alheio
critico
É aquela velha história: cavalo dado não se olha os dentes. Então, se te convidarem pra fumar um, jamais reclame ou faça qualquer observação negativa sobre a qualidade do fumo alheio – especialmente se você não tiver um melhor pra apertar na sequência. Nada é mais desagradável do que um legítimo “aba” com instinto de crítico canábico.
* Como lidar: bom senso não se ensina, não se exige e não se cobra. Portanto, simplesmente ignore os reclamões e exclua-os das próximas rodadas. Também pode ser divertido desafiá-los a apresentar uma maconha de qualidade superior, no velho esquema: “deixa eu ver então o que você trouxe pra gente”.
8 ) Utilizar sedas improvisadas de papel de pão ou guardanapo
sedasimprovi
Não tem desculpa: é atestado de amadorismo insistir em apertar um baseado em papel de pão, guardanapo ou Colomy – ainda mais em tempos em que é possível descolar uma seda de qualidade em quase qualquer esquina. Salvo em último caso, como o fim do mundo, não vale a pena desperdiçar uma boa erva tostando-a em papéis repletos de compostos de petróleo e resquícios de pólvora. Seu paladar e sua saúde agradecem!
* Como lidar: mantenha o estoque de seda sempre abastecido e deixe algumas guardadas no fundo da carteira ou do bolso para casos de emergência. Ou então conforme-se e segure a onda até chegar à seda/bong/pipe mais próximos.
(Texto originalmente publicado na revista semSemente #4, que pode ser adquirida online por aqui. As ilustrações são do genial Pablo Carranza)