segunda-feira, 16 de junho de 2014

Morte por Overdose de Maconha???

De acordo com os tabloides, Gemma Moss teria sido a primeira mulher britânica a morrer por fumar maconha.
De acordo com os tabloides, Gemma Moss teria sido a primeira mulher britânica a morrer por fumar maconha.
Na tentativa de frear o crescente avanço da legalização, a imprensa britânia publica matéria sensacionalista sobre aquela que seria a primeira morte atribuída à maconha na história da Grã Bretanha.
O que o desespero não faz, não é mesmo? Desde a madrugada de hoje, esta circulando na internet uma noticia sobre a morte de uma britânica de 31 anos, que supostamente teria morrido de overdose de maconha. Ela seria a primeira mulher da Grã Bretanha (provavelmente a primeira da história da humanidade) a morrer por intoxicação de maconha. Porém, especialistas já descartaram a possibilidade, considerando a notícia um verdadeiro absurdo, mal contato e de má fé.
Como é possível alguém morrer de “envenenamento” por maconha, uma vez que esta é uma das substâncias menos tóxicas conhecidas pelo homem? Fazer essa pergunta no dia de hoje é de vital importância, uma vez que essa notícia não só espalha uma grande mentira, como também agride a imagem e lembrança da britânica de 31 anos, mãe de três filhos, Gemma Moss. É importante também atentarmos para o momento político que vivemos no planeta, no que se trata de Maconha, com diversos países flexibilizando suas leis (inclusive a Suíça, tão querida pelo senhor do proibicionismo Osmar Terra), alterando a política de drogas ou para a descriminalização ou legalização da planta.
O absurdo aparentemente começou pelo The Telegraph, e em seguida se espalhou rapidamente para outros tabloides, como o Daily Mail e o Mirror. Depois caiu na rede online e então viralizou pela pelo mundo inteiro. Ainda não chegou na rede Brasileira, mas provavelmente em breve os principais canais de notícia estarão noticiando esse fato de maneira extremamente alarmista e maliciosa.
“Cristã devota, mãe de três filhos, Gemma Moss, de 31, morreu diretamente de maconha”, é o que diz Telegraph Sam Webb, fazendo graves acusações. Outro jornal local, o Bournemouth Daily Echo, continua insultando Gemma Moss ao publicar que Gemma seria “a primeira mulher na Grã Bretanha a morrer de intoxicação por canábis”.
O Xerife Payne, disse que supostamente Moss tinha “níveis de moderados à altos de maconha no seu sistema” (lembre-se de que maconha não é tóxica), e assim atribuiu a morte dela à “toxicidade da maconha”, após consultar o patologista Dr. Kudair Hussein. Mas desde que começou a circular a notícia, Payne tem afirmado “com os resultados que tivemos, não é possível identificar nenhuma causa natural para a morte dela, porém, é mais provável que ela não tenha morrido pelos efeitos da canábis”, botando assim novamente em xeque a credibilidade da mídia nacional (e agora mundial).
“A morte da senhorita Moss foi registrada como decorrente da toxicidade da maconha e um médico legista registrou a morte por abuso de maconha”, é o que diz o The Telegraph.
Já o próprio patologista, Dr. Hussein afirma “Eu já dei uma olhada na literatura e é sabido que a maconha possui baixíssimo grau de toxicidade. Mas há relatos que afirmam que a maconha seria capaz de matar, porque poderia induzir uma parada cardiaca”.
De acordo com o Bournemouth, Moss fumava metade de um baseado toda noite pra ajuda-la a dormir. O Daily Echo afirma “sua amiga, Zara Hill, disse que elas fumaram muita maconha na semana que precedeu sua morte”, e assim vai se construindo uma mentira. Pobre Gemma.
“Em 40 anos eu nunca vi nenhuma morte que fosse atribuída exclusivamente à maconha”, disse David Raynes da Aliança Nacional de Prevenção à Droga. “Houveram casos em que a maconha foi combinada com outras drogas, como o álcool e remédios por exemplo”.
Na noite de 28 de outubro, Moss foi para a cama depois de apertar e fumar seu ultimo baseado. Ela foi encontrada inconsciente na manhã seguinte.
“Uma nota de um médico não deve valer mais do que décadas de pesquisas demonstrando que é impossível morrer de uma overdose de maconha”, disse Mason Tvert, diretor de comunicação da Marijuana Policy Project (MPP), ao Toke Signals Thursaday. E completou, “acontece que isso não passa de romance, não notícia. Não há nenhuma evidência científica significativa de que isso já tenha acontecido antes na história. Isso nos faz questionar a competência do médico”.
De acordo com todos os estudos disponíveis, nunca houve, na história da humanidade,uma morte ligada diretamente ao uso de maconha. Porque iria acontecer logo agora? E ainda com uma mulher que nem fazia um uso pesado como tantos outros? Impossível. Pra morrer de overdose de maconha a pessoa precisa fumar cerca de 700 quilos de erva – ainda assim você morreria por asfixia causada pela fumaça, e não pelo THC. Essa notícia é quase cômica, se não fosse tão trágica.
A Norml Uk pediu para que seja feita uma revisão das circunstâncias da morte “afim de determinar o que foi que realmente matou Moss”.
O porta-voz da Norml Uk, Greg de Hoedt disse: “você precisa de 20 à 40 mil baseados pra chegar numa quantidade que seja letal para o corpo”.Também disse que “não é incomum que as pessoas misturem a maconha com droga sintética, a fim de aumentar a potência do efeito”. Ele ainda questiona se haviam quaisquer outras internações nos hospitais por taquicardia, ou problema pulmonar decorrente pela maconha.
A família de Moss merece saber o que realmente aconteceu. Eles não merecem ter a memória de um membro da família manchada por manchetes sensacionalistas, sem nenhuma base científica”.
Os policiais, as mídias, todo mundo pareceu aceitar bem facilmente a avaliação do Dr. Houssein, ignorando completamente a ciência já conhecida sobre a maconha. Seus benefícios terapêuticos são muito conhecidos, não existem relatos de mortes em todo o planeta. Na verdade, milhões de pessoas fumam maconha no mundo inteiro, em quantidade muito maiores do que a senhorita Moss, e a maioria tem poucos ou nenhum efeito colateral adverso.
Além disse, Moss estaria tomando antidepressivos prescritos por médicos. É bastante conhecido também o efeito que esses medicamentos podem provocar no corpo, levando à morte (enquanto a maconha nunca matou). É muito provável que Moss tenha morrido decorrente de complicações por conta desses remédios. Agora infelizmente sua morte esta sendo usada coo desculpa para os proibicionistas poderem gritar “a maconha pode matar”.
É importante continuar acompanhando o caso e buscando informações verídicas a respeito desse caso, que está sendo alarmado como o primeiro caso registrado de uma morte decorrente do uso de maconha. Lamentamos profundamente pela família de Moss, que agora deve estar passando por um momento bastante difícil e delicado. Já não bastasse a dor da perda, agora precisam conviver com essa manobra proibicionista de baixíssimo nível. Para quem entende de maconha, está muito claro que não passa de uma triste tentativa de “desmoralizar” a ganja.
Fonte:CHARAS