sábado, 5 de abril de 2014

A regulamentação da maconha pode ajudar a economia do Brasil

A frase pode soar estranha, mas não é loucura. Estamos à beira de uma crise econômica grave. Com a Copa do Mundo, a tendência é piorar. Enquanto o governo faz questão de iludir a população, dizendo que a Copa ajudará a economia instável do país, os economistas dizem o contrário.
Em entrevista para a Época, o professor de finançasda FGV, Luís Carlos Ewald, afirma que: “Todo mundo diz que a Copa vai ser muito boa para o Brasil. Mas depois que o evento passar, não haverá mais investidores no país, pois estão todos com medo”. Os investidores não são bobos. Quem quer investir em uma economia instável, com a inflação correndo solta e o risco de o Governo Federal interferir no seu negócio a qualquer momento? A burocracia e o câmbio flutuante também espantam multinacionais, que temem perder seus investimentos. Além disso, um monte de dinheiro entrando no país em junho e julho e depois sessando, só tem um resultado certo: mais inflação. A Copa se tornou suicídio econômico, não houve investimentos significativos no transporte, saúde, estradas. O resultado é uma crise econômica.
Os investimentos em estradas e portos, para o transporte de mercadorias pelo Brasil, não foram suficientes. As importações chegam a ritmo lento e o trânsito de caminhões só piora. Com a canábis, esse problema pode não interferir. A justiça liberou pela primeira vez a importação de um remédio derivado da canábis para a menina Anny Fischer, de Brasília, mas o custo da importação é alto e o transporte lento. As taxas alfandegárias são ridiculamente altas, reflexos do protecionismo brasileiro. Outras crianças não terão acesso porque a epilepsia não atinge somente famílias com alto poder aquisitivo. O problema, no entanto, tem fácil solução.
Regulamentando a produção e venda da canábis em território nacional, uma série depequenos negócios locais surgiria da noite para o dia no Brasil, como aconteceu na Califórnia em 1996, e recentemente no Colorado. Com a legalização, o Colorado faturou um milhão de dólares por dia, enquanto o estado da Califórnia, que passava por uma crise financeira nos anos 90, passou a ser o oitavo estado mais rico dos Estados Unidos, explica Aseen Sappal, coordenador da Oaksterdam University, em Oakland.
Como a canábis pode ser produzida em qualquer lugar do Brasil, dentro ou fora de casa, os consumidores não precisam ir muito longe para obter sua mercadoria. Como os custos de uma canábis produzida localmente sai bem mais baixo, pois não precisa passar pelo alto custo do transporte, o consumidor vai preferir o produto local à importação, da qual os preços cobririam, inclusive, a burocracia portuária, pedágios, tempo de entrega, gasolina etc.
A canábis também ajuda pessoas que poderiam estar inválidas a continuar trabalhando e ter uma independência financeira. Esse é o caso de Gilberto Castro, que consegue se livrar dos espasmos causados pela esclerose múltipla graças à maconha. Ele fuma pela manhã, antes de ir trabalhar e à noite, quando chega em casa. De outra forma, ele afirma que não conseguiria continuar trabalhando como designer gráfico, pois mal conseguiria usar o mouse do computador.
A falta de investimentos na saúde, portanto, são aliviados com a regulamentação da maconha, que pode até substituir, em muitos casos, remédios caríssimos disponíveis nas farmácias. Isso pode até, quem sabe, diminuir os gastos públicos com os remédios distribuídos gratuitamente através do SUS, conforme pessoas optem por usar a canábis como forma de tratamento. Os produtos à base de canábis também podem ser distribuídos de diversas formas – comestíveis, vaporizados, plantas híbridas – o que garante uma grande variedade de produtos e uma concorrência livre, que dificilmente cairá nas mãos de monopólios, especialmente se esse mercado for devidamente regulado.
Com a regulamentação, serão recolhidos impostos com as transações, o que não acontece com o mercado ilegal de drogas. Com isso, pode-se decidir o destino do dinheiro gerado pela venda da canábis, como a melhoria de hospitais e escolas. Serão economizados, ainda, milhões de reais em recursos para sustentar a falida guerra contra as drogas. Isso também diminuiria o crescimento da população carcerária, que custa milhões ao Estado e está repleta de usuários e traficantes de drogas.
A canábis também é capaz de produzir cânhamo, um material natural, de extrema resistência, que pode produzir tecidos, carros (Ford produziu o primeiro carro de cânhamo no início do século XX) e até combustível, sem prejudicar a natureza. Segundo Cris Conrad, autor de diversos livros sobre a canábis, a planta é capaz de absorver toxinas do solo, ajudando a combater solos contaminados. Ele também explica que o cânhamo, além de produzir tecidos de melhor qualidade, é mais aproveitável que o algodão, ou seja, são necessários menos hectares de área plantada para produzir a mesma quantidade de tecido.
A canábis, portanto, ajuda na saúde, no meio ambiente e, principalmente, na economia decadente do Brasil. Pena que não atrai votos. Então, eu faço questão de apontar: nas eleições para presidente desse ano, voto no primeiro candidato a apresentar um plano sensato de regulamentação das drogas.