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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Legalização da maconha poderia render milhões, diz relatório do governo britânico


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Image captionPetição reivindicando legalização da maconha obteve 220 mil assinaturas
Legalizar a maconha pode gerar centenas de milhões de libras por ano em impostos e reduzir substancialmente o custeio da polícia e das prisões, revelou um relatório do governo britânico.
O estudo interno do Departamento do Tesouro, obtido com exclusividade pelo programa da BBC Newsnight, constatou que a legalização poderia gerar "receitas fiscais notáveis" e "economias para o sistema de justiça criminal".
Na segunda-feira, os parlamentares britânicos discutiram o assunto, depois que uma petição reivindicando a legalização da maconha obteve 220 mil assinaturas.
O governo do Reino Unido, por outro lado, diz planejar não alterar a lei.
O Ministério do Interior afirmou não ter planos para mudar a lei referente à maconha, que atualmente é classificada como uma droga ilegal classe B, acrescentando que seu uso vem caindo gradualmente.

'216 toneladas'

O estudo do Tesouro foi conduzido no início deste ano a pedido dos Liberais Democratas quando o partido ainda participava da coalizão do governo com os Conservadores, mas não havia sido publicado.
O objetivo do levantamento era considerar os "potenciais impactos fiscais da introdução da legalização da maconha no mercado do Reino Unido".
A pesquisa estima que 2,2 milhões de pessoas entre 16 e 59 anos consumiram a erva no ano passado ─ um total de 216 toneladas.
Analistas do governo reviram o trabalho do Instituto para a Pesquisa Econômica e Social, que previu que a legalização da maconha poderia reduzir o deficit do orçamento britânico em 1,25 bilhão de libras (R$ 7,2 bilhões) ─ tanto por meio de impostos quando redução de custos.
O relatório do Tesouro, por outro lado, diz que o montante está provavelmente "superestimado".
No entanto, o órgão diz concordar que a legalização da maconha elevaria significativamente as receitas fiscais, assim como representaria uma economia de cerca de 200 milhões de libras (R$ 1,1 bilhão) todos os anos em custos relacionados à segurança.

'Criminalização ridícula'

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Image captionEconomia com legalização da maconha pode chegar a 1,25 bilhão de libras, diz relatório
Um dos porta-vozes dos Liberais Democratas, Norman Lamb, disse que o partido considerou regular e taxar a maconha, a exemplo do que ocorreu em alguns Estados americanos.
"Todo o debate mudou dramaticamente agora… na medida em que vemos vários países dando início a esse debate, e muitos Estados nos Estados Unidos decidindo estabelecer mercados regulados e legalizados para a droga."
"E para mim o princípio básico é: você coloca um produto potencialmente perigoso nas mãos de criminosos que não tem qualquer interesse no bem estar social ou você busca regulá-lo?"
"Acredito que em termos de saúde pública e também para evitar a criminalização ridícula de tantos jovens, um mercado legalizado faz muito mais sentido."
O Ministério do Interior, no entanto, afirmou por meio de um comunicado que o governo "não tem planos para legalizar ou descriminalizar a maconha".
"Há evidência médica e científica que a maconha é uma droga perigosa que pode prejudicar a saúde física e mental das pessoas, colocando indivíduos e comunidades em risco."

sábado, 25 de julho de 2015

Maconha produzida no Nordeste já abastece 40% do mercado nacional


Maconha produzida no Nordeste já abastece 40% do mercado nacional, diz pesquisador
Em entrevista, o sociólogo Paulo Cesar Fraga revelou que boa parte da cannabis consumida no país vem da agricultura familiar do sertão de Pernambuco e da Bahia, contrariando o mito de que no Brasil se fuma maconha paraguaia; estudioso acredita que o governo deve rever a política de drogas em relação ao plantio – o que poderia contribuir com o desenvolvimento econômico dessas regiões 
Por Redação 
Contrariando o senso comum de que o Brasil é apenas um consumidor ou uma rota do tráfico de drogas, a região do Nordeste já produz cerca de 40% de toda a maconha consumida no país. O dado foi revelado pelo sociólogo Paulo Cesar Fraga em entrevista à Carta Capital
“Há um mito de que a maconha consumida no Brasil venha do Paraguai, de que não é um problema nosso. Na verdade, a agricultura familiar e tradicional do sertão nordestino já produz 40% da maconha consumida no país”, disse. 
Na entrevista, Fraga refere-se ao chamado “Polígono da Maconha”, região do Nordeste composta por 13 cidades: Salgueiro, Floresta, Belém de São Francisco, Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Petrolina, Carnaubeira da Penha e Betânia, todas em Pernambuco, e Juazeiro, Curaçá, Glória e Paulo Afonso, na Bahia. 
De acordo com o sociólogo, o plantio de cannabis na região deve-se, principalmente, ao baixo investimento de governos para o desenvolvimento daqueles municípios. A agricultura familiar e ilegal, neste sentido, faz-se uma alternativa ao poderio do agronegócio.
“É lamentável que o Brasil não reveja suas leis sobre a produção de cannabis e essa região não possa se transformar em um polo legal para fins medicinais do uso de cannabis, por exemplo, ou de produção têxtil e, mesmo, para fins recreativos. Sei que a questão não é simples, mas precisamos enfrentá-la”, analisou o pesquisador. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

A maconha para fins medicinais ganha a primeira batalha na Flórida

Milhares de anos depois das primeiras referências históricas do consumo de maconha, o potencial médico da cannabis continua pouco explorado. Isto se deve à falta de conhecimento básico. Há apenas 25 anos foi descoberto o sistema endocannabinoide, uma extensa rede de comunicação entre os neurônios e outras células do sistema nervoso central, cujo funcionamento é modulado pelas principais substâncias ativas da cannabis. O próprio organismo gera variantes endógenas desses compostos para regular funções cerebrais fundamentais, como o comportamento, a memória e a dor. Agora, o desafio é transformar os cannabinoides em fármacos mais eficazes contra uma gama cada vez mais ampla de doenças – dos tumores mais agressivos à epilepsia.
“Por um lado, temos uma substância que foi consumida durante séculos, mas cujos efeitos foram comprovados em muito poucos estudos clínicos com pacientes”, explica Rafael Guzmán, diretor de um grupo de pesquisa sobre cannabinoides na Universidade Complutense de Madri. Por outro lado, diz ele, é cada vez maior o conhecimento básico sobre os seus efeitos graças aos estudos com animais e células humanas.
Num desses estudos, Guzmán e outros autores demonstraram que cannabinoides como o THC, o principal responsável pelos efeitos psicoativos da maconha, reduzem o crescimento do glioblastoma, um tumor cerebral muito agressivo e difícil de tratar. “Há muito boas evidências de que a cannabis pode eliminar o câncer em células humanas e de camundongos, mas ainda há poucas provas sólidas de que faça isso em pessoas”, reconhece.
Sua equipe colabora com um estudo clínico do Reino Unido que verifica a eficácia do Sativex, um fármaco que contém os dois principais compostos da cannabis (THC e cannabidiol, ou CBD), para pacientes cujos tumores ressurgiram após a cirurgia. O medicamento é administrado junto com a quimioterapia convencional. “Em alguns meses”, explica Guzmán, sua equipe espera começar o primeiro ensaio clínico na Espanha para avaliar a efetividade conjunta como tratamento de primeira linha em pacientes com glioblastoma.

Há diversas boas evidências de que o cannabis pode eliminar o câncer em células humanas e em camundongos, mas ainda há poucas provas sólidas de que faça isso em pessoas
Segundo Guzmán, que preside a Sociedade Espanhola de Pesquisas sobre Cannabinoides, “estamos vivendo um boom” na investigação sobre os novos usos dos cannabinoides. Eles têm sido promovidos, em parte, pelas experiências pessoais de pacientes ou familiares que usam maconha para aliviar seus sintomas. A aplicação mais destacada é a do CBD para reduzir o número de ataques epiléticos em crianças com síndrome de Dravet. Sua eficácia já está sendo testada em ensaios clínicos. Os tratamentos já aprovados desses compostos contra os espasmos da esclerose múltipla, e contra a dor e as náuseas no câncer, também começaram a partir de relatos de pacientes que usavam maconha.
“Os receptores de THC estão entre os mais abundantes do cérebro. São mais numerosos que os de dopamina ou serotonina, e por isso têm grande potencial para novos fármacos”, diz Rafael Maldonado, da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona. Uma das barreiras para transformar a maconha em medicamento são os efeitos psicoativos. Sua equipe conseguiu, pela primeira vez, dissociar os efeitos terapêuticos do THC dos alucinógenos. O objetivo da pesquisa, realizada em camundongos e recentemente publicada na revista PLoS Biology, é buscar fármacos contra a dor que não provoquem perda de memória ou alterações de comportamento.

Alzheimer

O trabalho descreve um peptídeo (uma proteína de tamanho pequeno) que, administrado a roedores, bloqueia grande parte dos efeitos “indesejáveis” da maconha, conservando suas outras funções analgésicas. “No momento, tudo leva a crer que esse mesmo composto seria inócuo em humanos”, afirma. Sua equipe integra o consórcio europeu Neuropain, que dispõe de 6 milhões de euros (20,4 milhões de reais) para procurar novos usos dos cannabinoies contra a dor neuropática, que surge após a alteração de nervos pelo câncer ou outras doenças e que não responde bem aos analgésicos. O referente mais comum, explica Maldonado, são os casos em que um membro amputado continua doendo.
A maconha ainda é um buraco sem fundo para as pesquisas biomédicas. Tanto que muitos cientistas já nem pensam nela. Acredita-se que haja entre 60 e 90 cannabinoides, muitos deles ainda sem explorar e que deveriam ser incluídos em “quimiotecas” para o seu estudo. “Ultrapassamos a maconha. Hoje, o campo de pesquisa é infinitamente mais amplo e deveria deixar de estar vinculado a ela”, explica Javier Fernández-Ruiz, catedrático de bioquímica da Universidade Complutense de Madrid e membro do Centro de Pesquisas Biomédicas em Rede de Doenças Neurodegenerativas.
Os cannabinoides podem ser um bom aliado na guerra contraAlzheimer e Parkinson – as “doenças típicas do século XXI” devido à longevidade cada vez maior da população, explica Fernández-Ruiz. O passar do tempo faz com que o cérebro perca neurônios, e grande parte deles não é reposta. Isto se deve a múltiplos fatores, como a oxidação e a falta de irrigação vascular. “Os cannabinoides parecem ser capazes de corrigir vários desses problemas ao mesmo tempo”, diz Fernández-Ruiz. Seu próximo projeto é um estudo em cães que sofrem de uma doença parecida com a esclerose lateral amiotrófica (ELA) para testar o efeito do THC e do CBD.
Todos os especialistas consultados pedem muita cautela quanto a essas linhas de pesquisa. “Estou certo de que haverá no futuro um medicamento contra tumores cerebrais baseado em cannabinoides, mas os pacientes atuais não poderão se beneficiar deles”, adverte Fernández-Ruiz.
Fonte:EL Páis

domingo, 3 de maio de 2015

Legalização da maconha é irreversível, diz George Soros

Legalização da maconha é irreversível, diz George Soros“A legalização da maconha está praticamente assegurada nos EUA. Já ocorreu em três Estados e deve irradiar para o restante do país”, disse o especulador George Soros, que defende a descriminalização das drogas leves; ele também defende incentivos fiscais à filantropia; “Haverá um número maior de bilionários brasileiros inclinados à filantropia se houver legislação favorável. O Brasil poderia aumentar impostos sobre heranças, dando isenção para quem doar esse montante para filantropia. Taxas e impostos devem servir para redistribuir renda”. As informações são do Brasil 247

O bilionário George Soros, um dos mais notórios especuladores financeiros globais, concedeu uma entrevista à jornalista Fernanda Mena (leia aqui), em que defendeu temas de alcance social, como a descriminalização das drogas leves e estímulos fiscais à filantropia.
“Acho que dependência de drogas é um problema insolúvel porque, de alguma maneira, é inerente à natureza humana. Nem todo o mundo se torna dependente de drogas, mas algumas pessoas, sim. E eu não conheço a solução para isso, mas sei que a guerra às drogas, que trata aqueles que sofrem de dependência como criminosos, tem causado mais danos do que a dependência em si”, disse ele.
Soros trata a legalização da maconha como um fenômeno irreversível. “Acho que a legalização da maconha está praticamente assegurada nos EUA. Já ocorreu em três Estados e deve irradiar para o restante do país.”


Ele também falou sobre filantropia e defendeu uma maior taxação sobre heranças, como estímulo às doações. “Haverá um número maior de bilionários brasileiros inclinados à filantropia se houver legislação favorável. O Brasil poderia aumentar impostos sobre heranças, dando isenção para quem doar esse montante para filantropia. Taxas e impostos devem servir para redistribuir renda.”

sábado, 30 de agosto de 2014

Após regulação, mortes por tráfico de drogas chegam a zero no Uruguai

Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha.
Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, nesta segunda-feira (2), o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.
Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.
Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.
No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?
Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.
Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.
Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, como álcool, por exemplo, há riscos e efeitos colaterais negativos com o consumo de maconha, o que requer regulação e controle do Estado.
A audiência desta segunda-feira (2), que conta com participação popular pelos canais de interatividade do Senado, é a primeira de um ciclo de debates promovido pela CDH para ouvir autoridades, lideranças sociais e intelectuais, visando embasar o parecer da comissão sobre proposta de iniciativa popular (Sugestão 8/2014) que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.
Também participam do debate a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro; o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle; o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pai diz em audiência no Senado que maconha dá qualidade de vida à sua filha

Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Audiência pública interativa para instruir a “Sugestão nº 8/2014, que trata da regulamentação do uso recreativo, medicinal ou industrial da maconha” - marco legal do tema a partiFábio Carvalho é pai de uma criança que sofre da Síndrome de Dravet – mal que causa diversas convulsões ao longo do dia – e foi a Comissão de Direito Humanos (que debate a regulamentação da erva) explanar: a maconha pode salvar vidas! As informações são da Agência Senado.

No debate sobre a regulamentação do uso medicinal da maconha, nesta segunda-feira (11), na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), um homem contou como usa a droga para tratar a doença rara de sua filha. No início da audiência, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) leu a carta da mãe da menina — mãe e filha não estavam presentes — e deu a palavra ao pai, Fábio Carvalho.
A criança possui a Síndrome de Dravet, uma síndrome rara que provoca convulsões e pode ser fatal se não tratada. Fábio disse que, desde os 5 meses de idade, sua filha Clarian tem convulsões e já foi internada 17 vezes, 11 delas em unidade de tratamento intensivo (UTI). Apenas no ano passado, a menina recebeu o diagnóstico da síndrome.
—  Num primeiro momento, eu, como a maioria dos pais, trouxe de forma ilegal a seringuinha dos Estados Unidos e comecei a dar para minha filha. Eu não teria condições de dar continuidade a esse tratamento porque sai muito caro — revelou.
Fábio contou que cada seringa custa US$ 500 e Clarian precisava de 3 seringas por mês. Ele disse que, se fosse trazer de forma legal, cumprindo todas as exigências feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o custo total mensal seria de R$ 8.700. Então, Fábio conseguiu, com um amigo, o óleo da maconha, conhecido como CBD (Canabidiol), e tem dado cinco gotas para Clarian por dia.
— A partir do CBD, minha filha começou a ganhar qualidade de vida. Ela ficava sentada, em frente à televisão, não tinha ânimo para nada. Hoje ela anda pela casa, brinca com o cachorro da vizinha, ela dança.  O olhar dela já mudou. Inclusive, na escola, ela começou a copiar as palavras da lousa, coisa que ela não fazia. Para mim, é uma vitória — relatou Fábio.
Clarian
Clárian tomando as gotas de CBD
Ele disse que, desde quando começou a dar o CBD para Clarian, as crises foram diminuindo. Em abril, foram 12 crises, em maio, 7, em junho, 3, e, em julho, apenas 1. Fábio disse ser a favor da regulamentação para o uso medicinal da erva porque também conheceu várias outras pessoas que passam por doenças semelhantes.
— Se o que eu estou fazendo estiver errado, eu vou continuar errado — disse.
A CDH debateu nesta segunda-feira a Sugestão (SUG) 8/2014, que pretende regulamentar o uso medicinal e recreativo da maconha. A matéria é relatada pelo senador Cristovam Buarque e, se for aprovada pela comissão, passa a ser um projeto de lei do colegiado que tramitará no Congresso Nacional. A sugestão é uma iniciativa popular apoiada por mais de 20 mil pessoas no portal e-Cidadania do Senado.

Você pode ler o depoimento de Fábio Carvalho na integra abaixo, extraído do site do Senado:
“Boa tarde, Senador. Boa tarde a todos, à Mesa.
Bom, meu nome é Fábio. O Senador, agora há pouco, leu a carta que minha esposa enviou sobre a minha filha (VOCÊ PODE LER A CARTA NA INTEGRA NESTE LINK).
Eu tenho uma filha de 11 anos de idade. Ela se chama Clarian. Ela tem a síndrome de Dravet. Não se muita gente conhece, porque é um pouco diferente da síndrome que a Ane, que o pessoal mais tem contato aqui em Brasília. É uma síndrome diferente. E é uma síndrome degenerativa também.
Minha filha começou a ter crises com cinco meses e meio de idade. Então, um bebê, está certo? E são 17 internações; foi muito tempo em hospital: 17 internações, 11 delas em UTI, duas atelectasias, três paradas respiratórias, fora medicamentos com os que você tenta controlar a crise. Quase estava indo fazer hemodiálise, porque há complicações. Teve refluxo, hipotonia, cicatriz no braço – porque teve que retirar um pedaço do músculo para saber a origem da hipotonia. De tudo que vocês imaginarem, desde que ela era bebê, eu corri atrás. Exames, erro inato metabólico, ácido orgânico urinário, até conseguir fechar, no final do ano passado, a síndrome de Dravet. Só que, com muito acompanhamento médico e tal, já venho tratando a síndrome há uns três anos, mesmo sem o diagnóstico estar fechado.
E é engraçado ver essa mobilização contra, a favor. Porque é o seguinte: quem sente isso na carne que é complicado. Eu poderia estar me escondendo atrás dessa briga, coisa que eu não estou fazendo. Por que eu sou a favor da regulamentação? Vou explicar: por dois motivos.
Em um primeiro momento, eu, como a maioria dos pais, trouxe de forma ilegal a seringuinha dos Estados Unidos; comecei a dar para a minha filha, então, esse tipo de coisa.
Bom, primeiro: eu não teria condições de dar continuidade a esse tratamento para minha filha, porque sai muito caro. A princípio, ele sai US$500 – você trazendo ilegal. Cada seringuinha daquela é US$500. Minha filha tem 11 anos; pelo peso, altura, isso e aquilo, precisava de três seringuinhas daquela. Então, isso ia passar a US$1.500. Se eu transformar isso em reais, (…)
E, se eu transformar isso em reais com toda a burocracia que me foi pedida pela Anvisa, tudo bem, consegui a receita, a prescrição. De tudo o que pediram eu fui atrás. Isso aí ia me tornar R$8.700. Eu não teria condições de arcar com isso, pessoal? Aí eu comecei, por intermédio de um amigo que eu me reservo não dizer quem é… O óleo CBD in natura da planta que todo o mundo conhece, de que todo o mundo está falando. E esse óleo, rico em CBD, lógico, a semente certa. Não sou nenhum irresponsável em dar qualquer coisa para a minha filha, mesmo porque eu estou atrás disso desde cinco meses e meio e, por meio de um óleo in natura, hoje eu dou cinco gotinhas para ela e eu vou começar a responder algumas coisas que estão em anexo. Em abril, quando eu comecei, primeiro: qual foi a preocupação? Fazer todos os exames na minha filha, todos, porque eu a droga desde os cinco meses e meio. Antes do CBD, ela já tomava Gardenal, Freezel, Topiramato e outro que eu importo também: Kepta.
Não há no Brasil. São quatro remédios. O.k.? Então sempre vi minha filha dopada. A única vez que não vi minha filha dopada foi quando um marquei um vídeo EG e a neuro, em consonância com o hospital: “Vamos tirar todos os remédios!” Ela teve 15 crises de uma vez e foi para a UTI. Então, eu sempre vi minha filha dopada, sempre à base de remédio. Então, esse negócio de drogar…
Eu drogo a minha filha desde os cinco meses e meio. Começa por aí. Portanto, esta é a minha briga. A partir do CBD, a minha filha começou a ganhar qualidade de vida, por quê? Minha filha ficava sentada em frente a uma televisão, não tinha ânimo para nada. Hoje, ela anda pela casa, ela brinca com o cachorro da vizinha, vai lá, brinca com o cachorro, ela dança. Esse é um primeiro passo que aconteceu com o avanço do CBD. Outro – posso até falar da reação, porque, quando eu comecei a dar CBD, só a deixou sonolenta. Só foi isso que aconteceu em relação ao CBD.
Quanto ao olhar dela, ela tinha aquele olhar caído. Você vê que era devido ao remédio. Eu não tirei nenhum remédio, pessoal. Eu só acrescentei o CBD – quero deixar isso bem claro. Por enquanto, não tirei nenhum remédio, mas o olhar dela já mudou. Hoje ela tem um olhar firme, vivo. Inclusive na escola, ela começou – para alguns aqui pode não ser nada – a copiar palavra da lousa, coisa que ela não fazia. Para alguns, pode não ser nada, porque ela tem 11 anos de idade e está no 1º ano – vamos dizer assim. Mas, para mim, é uma vitória, entendeu? Para mim, é uma conquista. Para mim, para minha esposa, para meu filho de 20 anos. Então, para nós é uma conquista. Nós estamos conquistando.
A Clárian tem outro problema: calor. Se ela está num lugar fechado, muito quente, desencadeava a crise. Hoje, com o CBD, ela começou a transpirar. Ela nunca havia transpirado na vida dela. Com o CBD, ela começou a transpirar a palma da mão, a sola do pé. Já começou a fazer esse efeito.
Para não me prolongar – eu sei que é quase uma hora da tarde e o Senador, daqui a pouco, tem que almoçar, não é fácil –, eu queria dizer o seguinte: em abril, ela teve 12 crises com a introdução do CBD. Em maio – isso tudo acompanhado –, ela teve 7 crises. Em junho, ela teve 3 crises. Em julho, ela teve 1 crise. Outra coisa: a Clarean dormia através de espasmo. Minha esposa dormia de mão dada com ela, com medo. É normal, instinto de mãe. Hoje, cessaram – diria para vocês – 90% desses espasmos. Ela tinha apneia. Ou eu ou minha esposa tinha que acordar para arrumar uma posição (…)
(…) minha esposa está acordando para arrumar uma posição para ela poder dormir. Ela engasgava, sei lá. Hoje, a menina dorme bem.
Então, pessoal, sou a favor da regulamentação para que eu faça como outras famílias com quem tenho contato lá fora – não estou jogando conversa fora para ninguém aqui, se quiserem, depois a gente pode estar conversando sobre isso –, que fazem o remédio para seus filhos. Depois que eu entrei nessa briga, por causa da minha filha, eu vi outras pessoas que precisam também. É o caso da esclerose múltipla, do câncer, é o caso de dores… É um mundo. Quando começamos a ver, não imaginávamos que seria dessa forma.
Então, por isso que eu sou sim a favor da regulamentação, sou a favor do cultivo. O que eu posso falar em relação a isso é que para mim está sendo de uma grandeza. Se o que eu estou fazendo está errado, vou continuar errado. Se pegar o remédio dessa forma for tráfico, eu sou traficante. Mas sempre vou – pelos meus filhos, pela minha família – atrás do melhor.
Muito obrigado.
Uma boa tarde a todos.
Fábio Carvalho

domingo, 10 de agosto de 2014

Senado volta a debater legalização da maconha no dia 11

Dentro do ciclo de debates a CDH promove a segunda das seis Audiências Públicas para debater a regulamentação do uso recreativo, medicinal ou industrial da maconha. O debate contará com a presença do deputado federal Eurico Junior que tem uma proposta com o mesmo tema. Participe e envie a sua mensagem de apoio a regulamentação da maconha ao Senado.
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal volta a debater a “Sugestão nº 8/2014, que trata da regulamentação do uso recreativo, medicinal ou industrial da maconha”.
A segunda Audiência Pública para tratar do tema, será realizada no dia 11 de agosto de 2014, segunda-feira, às 9 horas, no Plenário nº 2, Ala Senador Nilo Coelho, Anexo II, Senado Federal.
Estão sendo convidados para compor a mesa o ex-coronel da PM do RJ e cientista social Jorge da Silva; o deputado federal Eurico Júnior (que apresentou o projeto de lei, PL 7187/14, sobre o tema); a senhora Rosiska Darcy de Oliveira, Nivio Nascimento, Coordenador do Programa do Estado de Direito da UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime; e Leon de Souza Lobo Garcia, Diretor de Articulação e Coordenação de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça.
PELO TELEFONE E PELA INTERNET CONTINUE CONTATANDO O SENADO!!!
É muito importante a presença de todas(os) que possam ajudar efetivamente no aprofundamento do debate a partir de evidências científicas e sem preconceitos de ordem ideológica ou religiosa
O público de casa também pode participar do debate por meio do portal do senado, pelas redes sociais e por telefone através do Alô Senado no Telefone: 0800-612211.
Acompanhe a tramitação da SUG Nº 8/2014 em http://bit.ly/CDHSUGMaconha
Acompanhe ao vivo pelo canal do Senado Federal na internet (em breve estaremos disponibilizando o link).
Ajude o Senador. Assista o vídeo e esclareça suas dúvidas através dos canais acima.
- A regulamentação da maconha acarreta um aumento no consumo?
- A maconha é ou não a porta de entrada para outras drogas?
- A regulamentação diminui a violência?
- Como será a reação, o sentimento, do brasileiro quanto a regulamentação?


   


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Decisão na Justiça obriga Anvisa a liberar tratamento com derivado da maconha



BRASÍLIA – Decisão liminar da Justiça Federal em Brasília, desta quinta-feira, determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entregue à família de uma criança com epilepsia um medicamento a base de Canabidiol (CBD), derivado da maconha. Segundo o advogado autor do pedido, Luiz Fernando Pereira, a Anvisa ainda pode recorrer, mas a substância deve ser liberada pela agência já com a decisão liminar.
Com o uso do medicamento, indicado por um médico, a menina, de quatro anos, deixou de sofrer até 80 crises convulsivas por semana. Com indicação médica, a família da menina vinha comprando o remédio – que não tem registro no Brasil – pela internet, de forma clandestina, em importações individuais. Na compra mais recente, a Anvisa reteve o produto e cobrou explicações da família, que entrou com pedido de liberação na Justiça.
A liberação pode ajudar outros pacientes no Brasil que dependam de medicamentos sem registro no país. Para conseguir a liberação do Canabidiol, o advogado da menina sustentou que o medicamento não tem registro, mas não é uma substância proibida no país. Além disso, o defensor apontou que a Anvisa dispensa registro no país para a entrada de medicamentos em caso de comprovada urgência para tratamentos, com documentos médicos.
— É o primeiro caso do Brasil (com a substância) e abre um precedente muito importante. Tenho convicção de que pode servir de referencia para outros tratamentos – afirmou Luiz Fernando Pereira, do escritório Vernalha Guimarães & Pereira.
O juiz federal Bruno César Bandeira Apolinário, da terceira vara federal do Distrito federal, que liberou a entrega do medicamento, afirmou na decisão que "a substância revelou-se eficaz na atenuação ou bloqueio das convulsões, (...) dando-lhe uma qualidade de vida jamais experimentada".
Mas, na decisão, Apolinário reforça que a liberação do medicamento não pode ser confundida com um caminho para a liberação da maconha ou de outros derivados da erva. O juiz destaca que o CBD não tem nenhum efeito psicotrópico e, por isso, não é proibido.
— É uma decisão importante. O juiz faz uma distinção importante, não se trata de uso de maconha, é uma substância sem efeito psicotrópico — reforça o advogado. — É um equívoco grosseiro considerar que o Canabidiol é um medicamento proibido. Não é aleatória a decisão da Anvisa de colocar algo na lista de entorpecentes. Ele (a substância) tem de ser alucinógena para que seja incluída na lista.
A menina sofre de encefalopatia epiléptica infantil precoce tipo 2. A doença se caracteriza por crises convulsivas e atraso intenso e global do desenvolvimento. Segundo o laudo apresentado à Justiça, há evolução para retardo mental e dificuldade de controle motor. Anticonvulsivantes convencionais não surtiam efeito no tratamento da menina. Ela também já tinha sido submetida à cirurgia para implantação de um marca passo no cérebro, sem sucesso.
Com o Canabidiol, as crises convulsivas cessaram, segundo laudos médicos justados ao processo. Para teste, o medicamento foi retirado da garota durante uma semana, o que causou o retorno das crises, que chegaram a 42 em uma semana.
“Não se pretende fazer apologia ao uso terapêutico de Cannabis sativa, (…) menos ainda da liberação de uso dessa planta pata fins terapêuticos sem ter instigado a opinião publica, a academia de medicina o poder publico e os meios de comunicação” afirma o juiz, ao dizer que a publicação de decisão poderia causar repercussão “precipitada” na opinião pública. Ele reforça que não está propondo o debate sobre o uso da maconha.
A indicação da medicação foi feita pelo médico Wilson Marques Júnior, professor titular de Neurologia do hospital das Clínincas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.
Segundo o advogado, a família vai participar de uma reunião, na terça-feira, na Anvisa.